DA BARCA DOS LIVROS AO INSTITUTO VIDA&CIDADANIA
Um dia estive lá, nessa tão famosa BARCA DOS LIVROS na Lagoa da Conceição. No momento em que vi o ambiente, achei magnífico e mil coisas se passaram em minha mente: passeio de barco pela Lagoa, ouvindo poesias, lendo livros, vernissage, palestras, cursos, aulas sobre Literatura... Disse que queria doar alguns livros que editei, para divulgação das minhas obras. Disseram que, no momento, não estavam recebendo livros porque havia uma montanha de livros para serem catalogados. Solicitei, então, a minha inscrição como sócio ou coisa parecida. Da evasiva não me lembro como foi. Alguma coisa parecida com reestruturação e que depois avisariam dessa possibilidade. Falei, então, sobre o que li sobre um passeio - aqueles que eles fazem de barco pela Lagoa - onde são declamadas poesias, lidos trechos de grandes obras, etc. fato que, para mim, viria a calhar por não ter nada o que fazer na Ilha. Disseram que o barco já estava lotado. Aí, com os meus livros e discos embaixo do braço com a minha frustração enfurnada no âmago do meu ser, retornei à minha insignificância dizendo prá mim mesmo: um dia, a história haverá de mudar...
A gente tem que ter em mente, sempre, que nada acontece por acaso e que, em cada situação, seja ela qual for, devemos tirar uma lição de como enfrentar o dia-a-dia. Não devemos ter pressa é verdade, mas verdade também é que não podemos parar no tempo e no espaço: a procura deve continuar.
Logo que cheguei aqui em Florianópolis, depois de décadas ausente, participei de uma Feira de Livros no SENAC da Praínha. Expus meus livros, meus discos, minhas pinturas. No ano seguinte não fui convidado. Vou me desesperar? Nunca! Talvez apareçam outras oportunidades!
Mas deixem-me contar o acontecido dias antes: visitei uma Feira de Livros no Largo da Alfândega. Estava a um mês em Florianópolis. Encontro um amigo antigo que, por sinal, era um dos responsáveis pela Feira. Dei a ele alguns livros meus. Dias depois lhe telefono solicitando informações de onde ficava o Senac da Praínha. Disse-me que era pertinho da Assembléia. Perguntei onde era a Assembléia. Disse-me ele, então: Alugue um helicóptero. Aí você acha!
Não aluguei o helicóptero, mas achei o Senac.
Convidei alguns músicos para formarmos um grupo para levar música aos internos dos Hospitais, casas de repouso, asilos. Alguns acharam ótima a idéia. Marquei uma reunião. Só eu fui.
Descobri a Lagoa da Conceição e sua feirinha nos finais de semana. Fui. Deixaram-me participar. Vendi um CD e dei cinco. Vendi um quadro e sorteei mais de 10 entre os expositores daquela tarde.
Valeu a experiência e as pessoas que conheci. Mas que já me esqueceram, lógico!
Descobri o endereço eletrônico de um amigo antigo. Muito bem. Comecei a enviar coisas que achava interessante e queria repartir algumas novidades. Passado uns tempos recebo um E-mail: Pare de mandar porcaria! E-mail foi inventado para coisas sérias! Parei de mandar porcarias que, para mim, eram sérias! Gosto é gosto!
Descobri uma Emissora Comunitária no Bairro do Campeche. Tornei-me sócio, pagando a anuidade. Doei uns quadros que pintei, doei um CD que havia gravado recentemente, doei uma máquina de escrever que poderia ser útil na falta de um computador e doei um livro que editei sobre Rádio, com sugestões de programação, títulos de programas, etc.
Resumindo: não penduraram o quadro, não tocaram o meu disco, não usaram minha máquina e não tocaram o meu disco. Com a experiência de ter sido radialista durante trinta e três anos em São Paulo, Paraná e Santa Catarina, não fui convidado nem para ser entrevistado. Deixaram-me ser ouvinte, o que já é um grande privilégio.
Descobri uma casa no Campeche que abrigava velhinhos. Que exemplo! Resolvi visitá-los. Conversei com o Presidente da entidade. Sobre os livros – uma caixa que havia levado – ele disse: Bem... Agora com a Internet a gente tem livro na hora que quiser! Mas pode deixar ali atrás da porta!
Mesmo assim deixei a caixa porque ficava chato levar de volta pra casa.
Não desanime seu Donato! Dizia prá mim mesmo.
Aposentado, o que vou fazer? Não posso ficar sentado na frente de um computador o dia inteiro? Descubro um Grupo de Idosos, quando visitava o Horto Florestal. Sou convidado. Passo a fazer parte. Já sou da Diretoria. Já participei da abertura do carnaval no Sambódromo. Já fiz excursões com o Grupo. Já dancei, já cantei, já ri, já vivi! Já participamos do carnaval, com direito a Samba-Enredo e tudo o mais! Abrimos o carnaval 2008 no Sambódromo! O chic da coisa, siô!
Envio alguns artigos para alguns jornais. Diversos publicaram, inclusive de outros Estados. De um deles recebo o convite para ser o seu Diretor Responsável. Aceito. E o Jornal VIDA&CIDADANIA se torna um importante jornal na comunidade porque é inteiramente dedicado à Terceira idade.
Surge uma idéia: criar uma OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público - (uma ONG em novos moldes, sob a orientação direta do Ministério da Justiça), voltado à Terceira Idade, principalmente destacando a Cultura e o Lazer.
Coloco o nome do Jornal “INSTITUTO VIDA&CIDADANIA”, em homenagem ao Jornal que me acolheu.
Agora posso fazer pelos outros, tudo o que não fizeram pra mim, o que se constitui uma glória para o Jornal de cuja equipe orgulhosamente participo.
Esta é uma historinha da grande história que está começando com o INSTITUTO VIDA&CIDADANIA, com o apoio irrestrito das pessoas que me acompanham: João Luiz da Costa Oliveira, Marcelo de Toledo Cundari, Elenice Seixas, Maria Madalena Stelmack, Elizabeth Terezinha Machado, Elizabeth Kras Borges, Ivonita Di Cornélio, Maria de Jesus Barreto, Aguinaldo José de Souza Filho, Rosa de Souza, Dalila Passos Ramos, Alberi Leopoldo Adriano, Paulo Moreira e os advogados da entidade e do Jornal VIDA&CIDADANIA, da Maurano & Azevedo.
PROJETOS
Com o apoio de diversos segmentos da sociedade organizada, governos, empresários esclarecidos, -preocupados com o social- e mais de 140 Grupos de idosos vamos, de início, desenvolver os seguintes Projetos Especiais:
001 - VIDA COM MAIS SAÚDE
GERENTE DE PROJETO: JOÃO LUIZ DA COSTA OLIVEIRA
002 – 1º SEMINÁRIO DE ESTUDOS OBJETIVOS DA TERCEIRA IDADE - SEOTI
GERENTE DE PROJETO: MARCELO DE TOLEDO CUNDARI
003 - 1º ENCONTRO DE COORDENADORES DE GRUPOS DE IDOSOS
1º ENCOOR
GERENTE DE PROJETO: ELENICE SEIXAS e MADALENA STELMACH MADRINHA DO ENCONTRO: ROSE BERGER
004 - 1ª MOSTRA DE MÚSICA DA TERCEIRA IDADE - MÚSITERIDADE
GERENTES DE PROJETO: ALBERI LEOPOLDO ADRIANO e PAULO SOL
005 - 1ª MOSTRA DE MODA PARA A TERCEIRA IDADE
GERENTE DE PROJETO: BETH KRAS
Convidado Especial: SINDICATO DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO
006 – SONHOS DE MULHER
GERENTE DE PROJETO: BETH KRAS
Para o sucesso das realizações, o Instituto VIDA&CIDADANIA está recebendo as adesões de Voluntários, desejosos de prestarem serviços à Comunidade chamada de Terceira Idade do Estado de Santa Catarina.
Os interessados devem entrar em contado com: donatoramos@uol.com.br ou pelo telefone (48)3233 7234.
Voltando ao início, veja a que me levou a história da Barca dos Livros...
Está provado: nada acontece por acaso!
----- Original Message -----
From: Maria Machado Cota
To: Donato Ramos
Sent: Saturday, March 01, 2008 6:03 PM
Subject: Re: DE VOLTA PARA A VIDA
Donato,
Li o seu artigo "De Volta para a Vida" e fiquei pensando no tanto que temos em comum nas questões dos Idosos e no quanto o Instituto Vida e Cidadania está sintonizado com os objetivos da RIAAM principalmente a questão do protagonismo. Iniciativa como estas, com certeza contribuirão para que o idoso fique mais tempo gerindo a sua vida.
As mensagens colocadas no"De Volta para a Vida" tem sido motivo de reflexão para muitas pessoas e tem sido, particularamente, uma grande preocupação para mim. Creio que se constitue no grande desafio que temos pela frente, agregando um número cada vez maior de pessoas para compartilhar conosco.
No pouco que já vi do Instituto Vida e Cidadania, posso afirmar sem medo de me equivocar, que estão no caminho certo.
Um grande abraço para você e para aqueles que lhe são caros.
Atenciosamente,
Maria Machado Cota
Presidente da RIAAM Brasil
Donato Ramos <donatoramos@uol.com.br> escreveu:
DE VOLTA PARA A VIDA
Donato Ramos 29/02/08 – Florianópolis SC
A pirâmide populacional mostra, progressivamente, o número de pessoas com 60 anos ou mais, aumentando significativamente. Nota-se, claramente, que as pessoas idosas encontram barreiras, inúmeras dificuldades, para inserir-se em qualquer patamar, porque a sociedade aprendeu a valorizar a juventude, o produtivo e a velhice é uma fase vista com preconceitos de inutilidade, dependência e que a maioria acha improdutiva, mas que serve de massa de manobras pelos políticos de plantão. O idoso, vendo essas limitações, tende a isolar-se, mesmo que esteja residindo com a família. E, como não o deixam tomar decisões, mesmo rodeado de familiares, o idoso se sente sozinho. Vejam, sintam esta verdade estonteante: o idoso mesmo em casa, com os seus parentes, está só. Do seu canto ouve tomarem decisões: “Amanhã, iremos lá”. Ou, “Ainda não é hora disto ou daquilo...” e o idoso apenas é comunicado. Quando é. Isso mesmo: os familiares não contemplam o idoso em seus diálogos e em suas decisões. Quantos idosos são condenados a viver o resto de suas vidas em instituições asilares, ambiente estranho e que leva o idoso a sujeitar-se às normas impostas pela instituição, ocorrendo, freqüentemente, o afastamento da família, dos amigos que sobraram, da sociedade.
Todos vocês, meus leitores, deveriam pensar seriamente nas palavras que me saem da alma, quando tento colocar nas folhas deste jornal endereçado aos idosos – mas que muitos lêem, de qualquer idade, profissão, situação econômica ou social – porque é a verdade que pesquisamos diariamente nos grupos de idosos, nas festinhas que para eles fazem por aí de vez em quando. Muitos não comparecem porque não têm ninguém – filhos, netos e outros – que os levem até o local da festa. Ao isolar-se – às vezes por conta própria, por desejar mesmo esse isolamento -, o idoso perde o seu espaço social, a família, seus pertences como livros, cachimbos, cachorro ou gato, chinelo velho, violão... E deixa de realizar as atividades da vida diária. Terá horários impostos para cumprir as suas tarefas no novo ambiente. Sua hortinha de fundo de quintal acabou. Seu radinho de pilha na cabeceira não vai mais ser ligado, porque o horário nesses lugares é de muito respeito.
No entanto dirão alguns familiares: “Lá ele está sendo muito bem cuidado! Eles são muito competentes e o local é bem limpinho! Não está faltando nada pra ele!”.
Que merda! Desculpe. É a emoção, pôxa. Quem sabe o quê está faltando é ele. É o idoso que lá está sem as suas coisas, sem a sua liberdade. Essa situação levará a pessoa a ficar desgostosa da vida, demonstrando isso pela tristeza, pela apatia, pelo isolamento, pelas lágrimas furtivas que cairão sem que mesmo ele saiba por quê.
E, simplesmente, fica esperando sua última hora chegar. Por sabermos disso, por participarmos disso, por fazermos parte dessa história, criamos o INSTITUTO VIDA&CIDADANIA. Procure saber mais sobre ele, sobre nós todos que estamos aqui. Olhe dentro dos nossos olhos. Veja que não estamos criando uma situação. Ela existe. Está do seu lado. E é hora de você nos ajudar a mudar o rumo da história de muitos idosos, trazendo-os novamente para a vida em seus últimos anos. Alegria! Música! Participação na vida comunitária! Venha ser mais um ao nosso lado!
Vou continuar a falar sobre o assunto em cada edição do Jornal VIDA&CIDADANIA daqui de Florianópolis, de Blumenau, pela Internet neste endereço: www.donatoramos.blog.uo.com.br e nas palestras que continuaremos a fazer em cada Grupo de Idosos do Estado de Santa Catarina.
donatoramos@uol.com.br
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