Maria Paula é Benedita Ramos de Souza, minha irmã, autora de uma dezena de livros.

Aqui, às vezes, passa um caminhão. Todo mundo sai pra ver. É o lixo. No poste, DEVAGAR! Claro! Moro aqui.
Nome da rua? É Servidão. Ilha Paraíso. Quer mais? Disseram-me que, na rua de baixo passa até ônibus! Com gente dentro! Não vi, mas acredito.
BOLERO
Donato Ramos - jornalista
...Hoje, “ali por volta do almoço”, ouvindo um CD de boleros inesquecíveis, comecei a cantarolá-los, pra tentar tocá-los, depois, na gaita de boca. (por falar nisso, você já tem o CD PRA NÃO ESQUECER, com o SOMAR TRIO?).
Voltando aos boleros, lá estavam Solamente uma vez... Noche de ronda... El Reloj... E tantos outros me levando para o passado, já bem distante. Olhei para o lado da cozinha. A mulher estava com a mão estendida, como se fosse pegar alguma coisa inexistente e não pegava porque estava com os olhos fechados. Percebia-se a viagem não se sabe pra onde...
- Ce tá doente, é...?
- Não é nada. Foi só uma dorzinha de cabeça. Mas já passou.
Já ouvi isso noite dessas, pensei. Aí, descobri a influência do bolero, suas letras e porque os dançarinos gostam tanto desse ritmo e das letras românticas, dos Agostín Laras e Roberto Cantorais do passado; minha mulher também, a sua também, doidinhas pra entrar no salão ouvindo “la última noche que passe contigo... quisera olvidarte, porém não consigo...”.
E é nessa hora que dançarino que se preza tem que inventar sempre. Todos sabem que mulher sonha bastante. Quando está na cozinha, sonha com o radiozinho ligado. Não só na cozinha, mas no tanque, na máquina de costura, de lavar ou fazendo crochê.
À noite, nem se fala: quando apaga a luz começa a se inquietar. Vira pra lá, vira pra cá, pega nisto, pega naquilo... Principalmente naquilo.
Porque, você acha, que ela apaga a luz...? Fica “assim” de Geanequim e Bread Pitty te empurrando na cama, pedindo pra você cair fora ou ir mais pro canto.
E no salão...? Dos melhores ritmos pra dançar e inventar uns passinhos bem maneiros o samba um deles, mas o bolero é melhor! Imagine aquela voltinha do bolero, onde vai parar o joelho...?
E na hora em que você “desestica” o braço e a enlaça mais apertado? E quando – sem querer, é claro! – você esfrega os cabelinhos (da barba!), quando vira a cabeça para o outro lado?
Você já notou que nessa hora ela já está de olhos fechados?
Aí, você, na mente dela, já se transforma em mais gordo, mais magro, mais alto ou mais baixo, mais cheiroso, com outra marca de desodorante.
Vamos parar por aí, senão ela acorda. Vamos para o joelho, ou melhor, pro bolero.
Gabriela,outra neta linda! Qual neta não é linda?
Filha do Gugu e Fabiane.
ARQUIVOS DA DITADURA
A LUTA DAS MULHERES!
“O segredo da felicidade está na liberdade;
o segredo da liberdade, na coragem.”
Tucídides (c. 465-
Escreveu Carlos Fernando Priess (*)
A ditadura militar revelou, entre tantos fatos, a participação efetiva das mulheres que, corajosamente, foram em busca da liberdade de seus companheiros, filhos, irmãos, enfim, daquele familiar ou amigo, que estava preso.
Em Recife, um jovem estudante de economia, Sérgio Rezende, filho do Marechal Estevão Taurino de Rezende, Presidente da Comissão Geral de Investigações - CGI, diante da repressão policial da ditadura resolveu pichar os muros com protestos, assinando o seu próprio nome. Foram protestos explícitos de um jovem estudante que teve a coragem audaciosa de contestar as violências praticadas pelos militares, mesmo tendo seu pai como Presidente da CGI.
Detido pelas autoridades militares de Pernambuco confirmou que havia sido ele, sim, que pichara os muros como forma de protesto pelos desmandos da ditadura que se instalara no país. Militares de Recife ligaram para seu pai, o Marechal Taurino de Rezende. O jovem estudante disse ao pai, pelo telefone, de sua indignação pelo que estava acontecendo. A violenta repressão exercida pelos militares assumia contornos extremos, a ponto de ferir, com o não cumprimento, o Código Penal que previa, nenhum cidadão poderia ficar detido por mais de 50 dias, sem culpa formada.
Convencido da justeza dos argumentos de seu filho, Taurino de Rezende baixou um Ato determinando que todos os presos políticos, com mais de 50 dias de prisão, fossem liberados. O corajoso herdeiro, respondeu um inquérito junto a CGI presidida pelo seu pai Marechal Taurino de Rezende, e teve como defensor o marxista e grande advogado Fábio Konder Comparato.
Foi este Ato que, ao possibilitar a liberdade de muitos comunistas e simpatizantes das reformas de base, instigou algumas mulheres a lutar por seus companheiros, ainda presos, pois
Este fato resultou na união de quatro mulheres companheiras de presos políticos para, juntas, lutarem por justiça, por igualdade de liberdade. Nesta luta encontraram o apoio do então, Vereador Nilton Kucker que solidário com os comunistas de Itajaí emprestou seu próprio carro para que elas fossem a Curitiba, numa audiência com General Comandante da 5ª Região Militar.
Ficou combinado, entre elas, que cada uma teria um papel durante a audiência: as professoras HILDA BUCHELE e AGÍLIA BALLAND fariam a argumentação em defesa dos presos; IRENE ROSA PRIESS, grávida, exibiria sua avantajada barriga que poderia, eventualmente, sensibilizar o General; ROSA CORDEIRO tinha grande facilidade para chorar, choraria.
Foram recebidas com respeito, quando puderam expor a situação de seus companheiros e dos demais presos de Santa Catarina que apesar da determinação expressa do Marechal Presidente da CGI, ainda continuavam detidos. Ouviu atentamente os argumentos de Hilda e Agília, enquanto Rosa chorava copiosamente e Irene, grávida, pedia água.
Voltaram esperançosas que os presos seriam colocados
A luta dessas corajosas mulheres foi brava e decidida para sensibilizar a ditadura militar. Provaram mais uma vez, a máxima milenar de Tucídides, que “o segredo da felicidade está na liberdade, e o segredo da liberdade, na coragem”.
(*) Advogado/economista – carlos@priess.com.br
Foi preso político durante a ditadura militar
Maria Paula é Benedita Ramos de Souza, minha irmã, autora de uma dezena de livros.

Os Sonâmbulos
Os homens lá vão e lá vêm, sempre com os olhos e o pensamento pregados nas coisas que adquirem e gritam, bem alto:
É MEU! QUE NINGUÉM ME TOME! É MEU!
“Os punhais continuarão a florescer”, enquanto o homem não aprender, de vez, o respeito pela dignidade humana. O homem se esquece que os outros também adquirem alguma coisa com o passar dos anos. Por que tem que ser apenas alguns?
Hoje planta-se uma rosa no canteiro que é da gente. Um dia, ao acordar, havemos de encontrá-la desfeita, abandonada pelas aléias do jardim silente, aquela flor que nasceu tão linda! Arruma-se outra flor. No outro dia, a mesma coisa se deu porque alguém resolveu dar mais cor sem ser artista, resolveu fazê-la maior como a sua ganância. Em cada pétala caída, voltada para a luz como a pedir socorro, num último aceno treme a gota que o céu chorou.
Abra os olhos, amigo! Veja a sombra ao seu lado! Ela está aí, esperando a vez.Talvez seja o seu melhor amigo, os seus melhores irmãos. Os punhais continuam a crescer e a florescer sobre a terra e muita gente vai desrespeitar a sua dignidade. O sangue de suas rosas derramado será, também, esquecido.
“Existem sonâmbulos à nossa volta...!”
Um dia você percebe uma folha solta que os sonâmbulos deixaram atrás de si. E você, como eu, como a grande multidão de quem não vê, continuaremos passando à procura de novos canteiros, para um novo plantio de rosas... E, para sobreviver, você continuará esquecendo o que lhe fazem. Você e eu existimos para que os sonâmbulos possam continuar também existindo.
Talvez, um dia, num átimo de segundo, na meia-noite de nossas vidas, poderemos reconhecê-los, abraçá-los e agradecer. Graças a eles, aos sonâmbulos, não nos esquecemos do nosso plantio.
Eternamente.
BOLERO
BOLERO
Donato Ramos - jornalista
...Hoje, “ali por volta do almoço”, ouvindo um CD de boleros inesquecíveis, comecei a cantarolá-los, pra tentar tocá-los, depois, na gaita de boca. (por falar nisso, você já tem o CD PRA NÃO ESQUECER, com o SOMAR TRIO?).
Voltando aos boleros, lá estavam Solamente uma vez... Noche de ronda... El Reloj... E tantos outros me levando para o passado, já bem distante. Olhei para o lado da cozinha. A mulher estava com a mão estendida, como se fosse pegar alguma coisa inexistente e não pegava porque estava com os olhos fechados. Percebia-se a viagem não se sabe pra onde...
- Ce tá doente, é...?
- Não é nada. Foi só uma dorzinha de cabeça. Mas já passou.
Já ouvi isso noite dessas, pensei. Aí, descobri a influência do bolero, suas letras e porque os dançarinos gostam tanto desse ritmo e das letras românticas, dos Agostín Laras e Roberto Cantorais do passado; minha mulher também, a sua também, doidinhas pra entrar no salão ouvindo “la última noche que passe contigo... quisera olvidarte, porém não consigo...”.
E é nessa hora que dançarino que se preza tem que inventar sempre. Todos sabem que mulher sonha bastante. Quando está na cozinha, sonha com o radiozinho ligado. Não só na cozinha, mas no tanque, na máquina de costura, de lavar ou fazendo crochê.
À noite, nem se fala: quando apaga a luz começa a se inquietar. Vira pra lá, vira pra cá, pega nisto, pega naquilo... Principalmente naquilo.
Porque, você acha, que ela apaga a luz...? Fica “assim” de Geanequim e Bread Pitty te empurrando na cama, pedindo pra você cair fora ou ir mais pro canto.
E no salão...? Dos melhores ritmos pra dançar e inventar uns passinhos bem maneiros o samba um deles, mas o bolero é melhor! Imagine aquela voltinha do bolero, onde vai parar o joelho...?
E na hora em que você “desestica” o braço e a enlaça mais apertado? E quando – sem querer, é claro! – você esfrega os cabelinhos (da barba!), quando vira a cabeça para o outro lado?
Você já notou que nessa hora ela já está de olhos fechados?
Aí, você, na mente dela, já se transforma em mais gordo, mais magro, mais alto ou mais baixo, mais cheiroso, com outra marca de desodorante.
Vamos parar por aí, senão ela acorda. Vamos para o joelho, ou melhor, pro bolero.
BRASIL
Jogral Escolar
DONATO RAMOS
Azul!
Das águas do mar...
Azul de anil!
Conjugando o verbo amar
Nos rincões do meu Brasil!
Brasil dos meus amores
Terra de esperança
Dos meus sonhos de criança
Sem a guerra dos horrores
A acenar para o além...
Terra da esperança
Brasil, terra adorada,
Pelos campos, pela estrada,
No entardecer ou alvorada
Cantando para o seu bem!
A esse primeiro olhar
Volta-se, anos depois,
À nossa imaginação
E ao nosso conhecimento...
Cabral descobre a costa:
El Dom Manoel
Andava infernizando
Pela gana de descobrir o resto!
Naquele tempo, o protesto,
Eram os mistérios geográficos,
O suspense dos soberanos
Cobiçosos...
Ou curiosos...Seus navegadores voltavam,
Como Ulisses,
Contando coisas
De virar a cabeça!
Porque a história contou:
Sua Majestade, para cá,
A cabeça virou!
E viu...
E como viu!
Um país de sonhos
De esperança.
Uma criança,
Chamada Brasil.
Estamos vivendo a semana
Da Pátria
E a Independência do Brasil.
Pelo sangue dos heróis,
Pelas estrofes dos poetas
Do passado
Pela confiança nos escritores
Do presente,
Pelo futuro
Do nosso passado.
Vivermos, agora, pensando sempre,
Que novos dias hão de vir
Na mesma terra, servindo de
Caminho para o que pensamos
E fazemos agora.
O futuro é trabalhado hoje
Que o nosso hoje seja o prenúncio
De um amanhã feliz!
Destino paradoxal,
Mas não faz mal!
O Brasil tem um destino,
Não mais de menino,
Mas de juventude.
De amor, o seu destino,
Desse Brasil-menino
Já se sabia o que queria:
Criar poesia!
Na fantasia de quem cresceu,
Sem nada perder,
Porque nada perdeu.
Em cada beco, em cada rua,
Em cada cidade
A terra que é minha,
A terra que é sua,
Da mocidade...
Canta com o poeta da saudade:
“Beco que nasceste à sombra
de paredes conventuais,
És como a vida que é santa,
Apesar de todas as quedas...
Por isso te amei constantemente
E canto para dizer-te adeus,
Para nunca mais”.
Brasil!
Das belezas naturais
Aterros...
Montanhas
Novas praias e correção
Até das correntes fluviais.
Terra do café
E dos canaviais.
Brasil, terra melhor não há!
O cientista pesquisa as águas
Meses e anos
Com cautela estudou
Pra não cometer enganos...
“E tirou um tesouro das pedras
Como a lenda previra.
Pena... matou sete quedas
E a enterrou em Guaíra.
Hoje ao fitar a usina
Maior que há, num segundo,
Reconheço que ilumina
A maior riqueza do mundo”.
Brasil... o país mais belo
Mais acolhedor...
Terra da juventude
Terra da paz e do amor!
Daqueles que virão bem depois
Do real um ou vinte e dois!
“Ama com fé e orgulho
A terra em que nasceste...
Criança, não verás país nenhum
Como este!”.
Brasil!
Brasil!
De amor
Brasil querido, de povo unido,
Que luta de pé!
Gooolll!
Brasil do trabalho
Brasil de Pelé!
Brasil que canta
Até hoje canta
Que a cabeça levanta
Para olhar o jângal.
Estradas florestas cortando
Sem dó nem piedade!
Cem quilômetros?
Cidade.
Mais cem quilômetros...?
Hospital.
Mais cem e muito mais?
Mais escolas e hospitais.
Nos rincões do estado-rei.
Tão grande que nem sei
Se estado ou país,
Ou continente.
Brasil gigante,
Brasil contente,
Abraçando toda a gente
Dos mais distantes rincões,
De toda e qualquer nação.
Vivendo como filho,
Vivendo como irmão!
Brasil,m terra contenmte,
Brasil de toda a gente,
Formando a corrente pra frente.
Brasil!
De sentimentos que não
Se extingue, que não acaba mais...
Sejam amigos, sejam filhos,
Sejam pais!
Brasil! Do Sul ao Norte,
Cada vez mais forte.
Brasil, meu Brasil brasileiro,
Brasil, terra igual ninguém vê!
Brasil, eu gosto tanto de você”!.
Abraçando toda a gente
Dos mais distantes rincões,
De toda e qualquer nação.
Vivendo como filho,
Vivendo como irmão!
Brasil,m terra contenmte,
Brasil de toda a gente,
Formando a corrente pra frente.
Brasil!
De sentimentos que não
Se extingue, que não acaba mais...
Sejam amigos, sejam filhos,
Sejam pais!
Brasil! Do Sul ao Norte,
Cada vez mais forte.
Brasil, meu Brasil brasileiro,
Brasil, terra igual ninguém vê!
Brasil, eu gosto tanto de você”!.
PAPEL VELHO
Donato Ramos
- Mamãe vem vindo... Mamãe vem vindo...
Carregada de papel velho pra vender na esquina!
Dona Maria tem
Os olhos dilatados pela fome.
Dona Maria tem
Os mesmos olhos grandes de quando era criança.
Dona Maria está
Cansada de ser enxotada
Da padaria.
- Mamãe vem vindo... Mamãe vem vindo...
Carregada de papel velho pra vender na esquina!
Dona Maria
Reza ladainha sem ganhar nada.
Mas toma cafezinho quando acaba a reza.
Dona Maria
Agradece muito o que tem:
Seus filhos,
Sua vida,
Suas lembranças.
A todos aqueles que deixam na rua
Papel velho
Pra ela ajuntar, ela agradece.
- Mamãe vem vindo... Mamãe vem vindo...
Carregada de papel velho pra vender na esquina!
Dona Maria
Foi à Prefeitura
E disse:
- Esse negócio de Dia das Mães,
tem alguma coisa a ver comigo...?
Ninguém soube responder.
- Mamãe vem vindo... Mamãe vem vindo...
Carregada de papel velho pra vender na esquina!
A GENTE SE VÊ, MÃE!
A GENTE SE VÊ, MÃE!
Lembra daquela estrela que, juntos, a gente via...?
A que mais brilhava, onde um anjo morava, você dizia?
Sem medo de vê-la, escute a estrela,
sem perguntar por quê.
Eu te amo, mãe querida. Hoje o dia é todo teu!
Obrigado, pela vida, pelo amor que você me deu.
Dia da mãe rica, pobre, simples, da mãe nobre;
da mãe sozinha, como é a minha.
Dia de gente que vem contente, de lugar distante,
na estrela brilhante,
trazendo nos braços sem cansaços...
ou nas asas do vento, voando... seguindo à pé,
levando sorrisos, levando lembranças,
uma lágrima, até.
Mãe que ilumina o mundo! Que vontade de vê-la!
Um amor tão profundo, maior que a minha estrela,
maior que meu abraço na vastidão do espaço.
Que pena, mãe, a distância da minha casa e da tua janela,
daquela flor tão singela, hoje amarelecida:
Todo dia penso nela, na minha e na tua vida.
Estou morando longe, esperando você.
Parti primeiro, mas um dia, na minha estrela,
A gente se vê!
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