O gênio

O GÊNIO E O SACI

DONATO RAMOS - JORNALISTA

 

Florianópolis foi palco do maior evento científico da América Latina, com a presença dos gênios da SBPC - Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, dos estudantes de todos os graus e do povo em geral.

Uma das invenções que me levaram até lá foi o ROBÔ BOMBEIRO. Como foi bom observar o interesse dos jovens por aquele invento, magnífico, com finalidades mais que humanas.

Puxei conversa com um rapaz ao meu lado, que mais olhava a platéia que ia se aglomerando, do que para o Robô à nossa frente. Mas, pelo menos, estava ali, pensei.

E, sem esperar qualquer resposta, fui falando, falando... como todo velho fala: somente um ser iluminado poderia ter uma idéia assim, a de construir uma máquina que possibilitasse poupar as vidas dos abnegados homens do corpo de bombeiros. Agora o bombeiro poderá ficar a dezenas de metros do perigo, evitando assim ser esmagado por paredes e tetos que caem ocasionando tragédias paralelas como dezenas que temos visto pela televisão , nas reportagens sobre os grandes incêndios.

O Saci, nome do Robô, tem muitas vezes mais capacidade para substituir as mangueiras tradicionais, com velocidade também dezenas de vezes superior.O rapaz ao lado ouvia atentamente e concordava comigo quanto à afirmação sobre a existência dos iluminados e acrescentou que todos eles, sem exceção, procuram apenas o bem da humanidade e tudo o que criam têm, basicamente, esse objetivo. Outras pessoas, gananciosas e sem escrúpulos é que usavam as invenções para a guerra, por exemplo o avião de Santos Dumont e outras invenções que surgiram há poucas dezenas de anos.

Tínhamos a mesma opinião - o velho e o jovem - que os conhecimentos pareciam vir do espaço, do tempo e que não eram obtidos apenas nos bancos escolares. Havia alguma coisa a mais. Diz o jovem:

- Deus, naturalmente. Só pode ser essa força que ninguém vê, mas sente, porque as invenções surgem assim, do nada, transformam-se em parte integrante da vida do homem. O tempo passa e ninguém mais se lembra do seu inventor - e para o inventor isso não interessa mesmo!

Ao olhá-lo bem dentro dos olhos, comecei a me sentir mal, com falta de ar até, incomodado com alguma coisa e não sabia atinar com quê. Talvez, a pressão. Perguntou-me se eu queria um copo d`água e ofereceu-me uma cadeira. Recusei. Disse que já estava passando o mal estar. Sentia que havia algo diferente ali. Pareciam sombras passando ao nosso redor, aquilo que me deixava nervoso. Até vozes sussurradas vindas não sabia eu de onde...

Aproveite-me para perguntar seu nome sua idade e o que fazia, se estava estudando, etc.

A resposta tirou-me por completo a fala:

- Meu nome é ROBERTO LINS DE MACEDO, tenho vinte e cinco anos, trabalho na ARMTEC - Tecnologia em Robótica, como diretor técnico, e sou o inventor desse ROBÔ SACI.

...

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Vou ao Mercado Municipal. Não conheço outro mercado de peixes e outras coisas, que tenham bares tão sofisticados como aqui em Florianópolis. Numa tarde destas - sempre que não tenho o que fazer vou lá comprar camarão!
Por Donato Ramos

Entro num desses bares e ouço alguém me chamar. Pelo nome! Viro-me. Reviro-me. Não reconheço ninguém. Do meu lado, alguém me diz:

- Donato Ramos... Não te vejo já faz uns trinta anos, ou mais. Sou o Luiz Fernando Wolf. Pertencia à orquestra que participou do Festival Uma Canção para Florianópolis que você comandou no Teatro Álvaro de Carvalho.
 
- Que memória de elefante, siô!

Nunca que eu ia saber quem era. Antigamente ele se sentava em apenas uma cadeira!

Daí pra frente o papo foi-basicamente-lembrar dos mortos, porque a maioria dos nossos amigos comuns já se foi sem avisar, os sem-educação!...

Foi ele, o Wolf, que me contou duas historinhas que aqui reproduzo, nesta coluna tão lida e aplaudida pela minha família inteira!

Napoleão Bonaparte durante as batalhas sempre usava uma camisa vermelha. Assim, se fosse ferido, os soldados não notariam o comandante ferido e continuariam a lutar com o mesmo ímpeto. Dois séculos depois, inspirado no grande general francês, Lula só usa calça marrom.

Que maldade, Wolf!

A conversa, claro, depois dessa, foi o quanto o país está complicado. Foi quando, para exemplificar que a vida é simples, nós é que a complicamos, ele contou a do Sherlock Holmes, quando, juntamente com o seu assistente Dr. Watson foram acampar. Montaram a barraca e, depois de uma boa refeição e uma garrafa de vinho, deitam-se para dormir. Algumas horas depois, Holmes acorda e cutuca seu fiel amigo.

- Meu caro Watson, olhe para cima e diga-me o que vê.

Watson responde: - Vejo milhares e milhares de estrelas.

Holmes então pergunta: - E o que isso significa?

Watson pondera por um minuto, e tentando demonstrar sua inteligência enumera:

1 - Astronomicamente, significa que há milhares e milhares e milhares de galáxias e potencialmente, bilhões de planetas.

2 - Astrologicamente observo que Saturno está em Leão e teremos um dia de sorte.

3 - Temporalmente, deduzo que são aproximadamente 3h15 min pela altura em que se encontra a Estrela Polar.

4 - Teologicamente, posso ver que Deus é todo-poderoso e somos pequenos e insignificantes.

5 - Meteorologicamente, suspeito que teremos um lindo dia amanhã. Correto?

Holmes então responde:

- Watson, seu burro! Significa apenas que alguém roubou nossa barraca!

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Laboratório próprio

LABORATÓRIO PRÓPRIO

Donato Ramos

 

11/07/2006 - 06h29
Cientistas criam espermatozóide a partir de embrião

da BBC, em Londres

Cientistas britânicos e alemães usaram pela primeira vez um espermatozóide criado a partir de células-tronco embrionárias para fertilizar fêmeas de camundongo.

A técnica pode ajudar no tratamento contra infertilidade masculina.
Ao entender melhor os processos de desenvolvimento embrionário, os cientistas acreditam que podem vir a tratar outras doenças utilizando celúlas-tronco.
...

Não quero ser alarmista (não sou nada para sê-lo!). Mas fico preocupado: eles, os cientistas loucos, começam com os camundongos, passam por outros bichos e acabam realizando experiências no ser humano. (Será que já fizeram experiências com o fígado desses bichinhos...? Seria minha esperança de voltar a beber uns traguinhos como antigamente!).

Quanto a “fazer gente”, é mais complicado. No meu caso, já não tem muita influência (muita, não. Nenhuma!) porque a minha parte “neste latifúndio” já fiz: foram oito lindos pimpolhos e pimpolhas que me deram onze “pimpolhinhos” mais lindos do mundo.

Fico pensando lá na frente, quando eu não estiver mais aqui para comprovar: se os dirigentes - a grande cúpula mundial (porque não vai haver mais dirigentes deste ou daquele país. Tudo estará “globalizado”) - necessitar de um exército para dominar uma região muito fria em qualquer lugar desta ou de outra Galáxia, bastará produzir gente com a pele que suporte tal temperatura. Se necessitarem de gente que chore, é só fazer. Se quiserem gente (seria gente, mesmo?) que não saiba sorrir, ou que necessite enxergar no escuro, é só acrescentar estes ou aqueles elementos, assim como um AGTC sintético - adenina, guanina, timina, citosina (?)-, de acordo com a necessidade.

Fico imaginando novas perseguições aos intelectuais, às bruxas, aos comunistas, aos músicos, jornalistas, ou outros nomes que se criarem para denominar quem seja do contra ou a favor de qualquer coisa!

Essa notícia que li na Internet pode ser insignificante, mas se me lembro bem já li alguma coisa no século passado a respeito disso. Algum escritor iluminado que “viu” essa notícia bem antes de nós...!

O quê será o “divino” no futuro?

A religião, será o quê? Lenda?

Ressurreição, o quê será? Existirá criança ou já vão nascer adultos...?

Amizade, amor, saudade, serenatas... figuras de linguagem, apenas?

Você, caro leitor amigo , deve estar pensando: Taí, ficou velho e biruta. Está criando sinopse para filme de terror pra passar na Globo no horário do almoço.

Laboratório próprio

Mas isso já existe! Filmes assim chamavam os antigos de “ficção científica”. Ficção não existe! Era criança e cada historinha de Júlio Verne era ficção. Que nada! Não era nem premunição. Era antecipação de fatos. A Lua está ali, nas nossas mãos! Deixou de ser a inspiradora dos poetas, de enamorados em êxtase, para ser ponto para “troca de cavalos das diligências do espaço”.

Estava falando de religião. E por quê não falar da morte? Como será a morte no futuro? Desligar um fio?

Hoje ainda é diferente: à medida que o tempo avança, vamos recebendo alguns sinais progressivos, no começo bem discretos e, depois, ostensivos e repetitivos, de que “ela” está chegando. A morte é a grande pergunta - nos nossos tempos - a grande pergunta e a final e grande resposta de todos os credos.

É perante os seus muros, diria um amigo meu, “frente às suas premissas que os cultos se definem”. Para os cristãos, por exemplo, é fundamental a mensagem de ressurreição, isto é, de que a morte não é o fim, mas a metade do caminho, de que não é a negação total, mas a afirmação, inicial da eternidade.

Quem não acredita nisso, não é cristão.

Então, lá longe, quando o homem “sair dos laboratórios” e não de outro lugar qualquer, como a notícia hoje divulgada não haverá mais cristãos, nem culto algum, nem alma, nem nada.

Alguns indícios já estamos vendo hoje na terra. Basta acompanhar a trajetória dos atuais dirigentes  das grandes massas, os homens- bomba, os mísseis sendo disparados sem que se importem se naquele pedaço de mar, onde o artefato vai cair, existe um pescador, um náufrago ou qualquer animal marinho.

Fiz a minha parte neste tempo vivido. Resta, agora, apenas alertar.

Mas, alertar apenas, basta? O quê o pobre mortal pode fazer contra as investidas da chamada “ciência dos homens”?

Sou tão insignificante perante as “grandes inteligências” que consegui apenas criar uma família. O que aliás, acho magnífico o feito: graças a Deus, foi em “laboratório próprio”.

folclore

ANTES QUE ME PERGUNTEM...

DONATO RAMOS

 

GENTE, QUE VERGONHA!!!

 

E-MAIL DA COMISSÃO DE FORMATURA:


Assunto: Desconvite Patrono Estácio -Data: 02/12/2005

Excelentíssimo Dr. Professor Rubens Araújo de Oliveira

 

Nós da comissão de formatura 2005/6 dos cursos de Administração,Turismo,Jornalismo e GSI da faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina, vimos por intermédio desta, comunicá-lo de uma situação que nos deixa muito constrangidos e de certo modofrustrados.

Há alguns meses, em visita pessoal entre os membros da comissão de formatura à Vossa Senhoria,
solicitamos e fomos prontamente atendidos e correspondidos na solicitação do convite, que muito nos honraria para homenageá-lo como Patrono das turmas acima mencionadas.

Até então, também foi abordado a possibilidade de um auxílio
para amenizar os custos referentes a formatura. Hoje pela manhã, fomos informados formalmente que o auxílio que poderia ser repassado aos formandos seria de R$ 1.000,00, que entendemos que esteja dentro das suas atuais possibilidades financeiras.

Ao repassar esta informação, a comissão e os demais formandos ficaram em uma situação delicada em face da dificuldade em completar o orçamento.

Os mesmos reagiram e sugeriram o auxílio de outra pessoa, que era também cogitado a ser homenageado, cujo valor disponibilizado amortizará o custo relativo ao local da colação de grau, pois contávamos com a disponibilidade do novo auditório da Estácio.

Então, diante desta situação extremamente complicada, nós da comissão acatamos o que a maioria dos formandos optou, que é de homenagear como Patrono a outra pessoa que fará uma contribuição mais elevada.

Gostaríamos de agradecer o aceite e o comprometimento, nos desculpar pela alteração e pelo não cumprimento do convite que fora gentilmente aceito pelo senhor, mas diante dos fatos, a maioria decidiu que seria mais justo homenagear a pessoa que se propôs a fazer a maior contribuição para com os formandos.

Ficamos no aguardo de um retorno do recebimento deste.

 

Atenciosamente;
Alex ( ADM ) / Sabrina ( TUR ) / Deise ( JOR ) / Rafael (ADM )/Juliana(TUR)/ Mônica(GSI) Comissão de formatura 2005/2



RESPOSTA DO PROFESSOR

Prezados Acadêmicos da Comissão de Formatura dos Cursos de Administração, Jornalismo e Turismo 2005-6:

Vocês não devem se sentir constrangidos.Frustrados sim. Constrangidos nunca! Quem sabe
este constrangimento não se trata de vergonha! Ou falta de caráter! Ou ainda falta de ética!

Entendo que estou “desconvidado” para ser Patrono. Em minha vida de quase 30 anos como professor, devo ter sido patrono, paraninfo, nome de turma e homenageado - dezenas de vezes. Jamais imaginei que formandos convidassem e “desconvidassem” patronos por dinheiro!
Enfim, sempre há uma primeira vez para tudo.

Se eu utilizasse a mesma moeda (literalmente) é uma pena não ter sido comunicado antes... Neste caso, por idêntico critério não teria pago minha parte como “patrono” na última festinha de confraternização dos formandos.

Meus queridos ex-futuros afilhados:

Eu é que me sinto constrangido. Decepcionado. Surpreso. Triste mesmo! Constrangido porque pensei que o convite realizado fosse uma homenagem ao Ex-Diretor Geral da Estácio pela sua capacidade de administrar e levar adiante um projeto que em cinco anos tornou-se a maior escola de administração de SC. Todos os cursos que ora estão se formando obtiveram a nota máxima de avaliação do MEC Patrono é isso: uma pessoa que os formandos entendam deva ser exemplo na área de atuação dos cursos.

Decepcionado porque pensei que nossos alunos honrassem o título de Bacharel após quatro anos muita de luta e sacrifício. Patrono é isso: Uma pessoa que dignifica a profissão.

Surpreso porque jamais imaginei ter sido “comprado” como Patrono.
Isto é, fui “eleito” pelos formandos somente porque iria dar dinheiro para a formatura. Patrono não é isso. Patrono não se vende. Triste porque vejo que não consegui - após quatro anos de curso superior mudar os valores de alguns alunos da Estácio SC.

Patrono é isso: Uma pessoa que possui valores que prezam pela ética, moral, honra e palavra.
Sinto-me aliviado. Dormirei melhor... Não consegui comprá-los por R$ 1.000,00. Obviamente a honraria de ser patrono vale muito mais que isso.
Tivesse eu as qualidades de um patrono acima citadas - talvez me sentisse “enojado” com a situação. Como não as possuo, sinto-me aliviado em ter poupado um dinheirinho que seria gasto com pessoas das quais me envergonho ter sentido alguma consideração de relacionamento.

Assim sendo, e como não resta alternativa com muita alegria aceito o “desconvite”.

Entendo que outros formandos não devem compartilhar da mesma opinião dessa Comissão. À estes desejo sucesso e sorte.

À Comissão de Formatura e aos outros que trocaram o patrono por dinheiro o meu desprezo. Seguramente a vida lhes ensinará o que a faculdade não conseguiu!

Por último, desejo à todos a felicidade da escolha de um Patrono bem rico! Que ele possa pagar todas as despesas e contas... Seguramente a maior qualidade do homenageado!

Que tenham uma excelente formatura. Estarei lá - presente na qualidade de professor da Estácio. Digam ao acadêmico orador - que em seu discurso não fale em qualidades dignas do ser humano. Muito menos em decência, honra, moral e ética. Se assim o fizer - irei aparteá-lo e chamá-lo de mentiroso!

 

Atenciosamente,

Prof. RUBENS OLIVEIRA,

Dr. Ex-futuro Patrono dos Cursos de Administração, Jornalismo e Turismo da Estácio de SC.

 




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