Durante trinta anos residindo em Cascavel cumpri o que todo cidadão deve cumprir: obedecer às leis que regem condutas no seio de uma comunidade em organização, participando de todas as formas da vivência comum e não se escondendo na costumeira desculpa de dizer “não tenho tempo”.Tive algum tempo e dele fiz alguma conta, participando, criando organismos sociais os mais diversos e pautando a conduta de cidadão consciente das suas limitações, mas não poupando esforços em busca de melhores condições de vida para os seus e para os outros, partícipes do mesmo mister.
Ao encerrar a missão que em Cascavel me foi reservada pelo destino, necessário se torna que preste alguma conta para o registro em algum livro contábil que por acaso exista em organizações dirigentes, para possível análise posterior.
Farei um breve resumo de poucas coisas realizadas nesses trinta anos de vivência ao lado de diversos líderes da comunidade cascavelense e de milhares de trabalhadores que viram em mim, a liderança necessária para se buscar melhores dias, criticando ou aplaudindo os feitos daqueles que tinham a obrigação de fazer.
No campo da comunicação social fundei jornais e participei da maioria deles e revistas de informação (Oeste e Urbana) e continuo proprietário do Jornal dos Municípios.
No magistério, fui instrutor de Vendas e Comunicação Oral e Escrita no Senac do Paraná, no Colégio Santa Maria e em diversas empresas.
Na política, fui candidato a vice-prefeito de Cascavel, fundei dois partidos: o PTB e o PSB.
Na vida comunitária, destaco a fundação do SINDEC - Sindicato dos Empregados no Comércio de Cascavel e Região - presidente durante quinze anos -. Além dele, fundei ou ajudei a criar diversos outros sindicatos, associações, instituições como a Comissão de Conciliação Prévia - primeira do Estado do Paraná - uma das maiores conquistas na mediação dos conflitos entre o Capital e o Trabalho, Sindicato dos Metalúrgicos, Telefonistas, Músicos, Mercados, Jornalistas, incluindo, também, outros municípios.
Nas artes, como escritor, músico e artista plástico, foram doze livros editados, dois CDs, mais de mil telas, e ocupo a cadeira número 5 da Academia Cascavelense de Letras.
Dos filhos (8), dois são atletas (skatistas) profissionais, mundialmente conhecidos e que já trouxeram para a sua terra natal dezenas de títulos, levando o nome de Cascavel a distantes lugares da Terra. Uma das filhas continuará como Advogada do Sindicato dos Empregados no Comércio, o genro, gerente da Sanepar e três dos onze netos continuarão freqüentando os bancos escolares cascavelenses. Portanto, dessa maneira, continuarei por aqui através deles. Participando durante anos da Confraria da Boca Maldita, tive a oportunidade de discutir os mais diversos problemas que a cidade vive no seu dia-a-dia, nas tribunas, no Rádio, Jornais e Televisão indicando caminhos em busca de melhores dias.
Dalila, Andréa, Rodolfo “Gugu” - os remanescentes - também seguem agora, tristes pela partida, mas contentes por deixarem grandes e leais amigos, feitos no dia-a-dia, em cada lágrima compartilhada ou em cada riso de uma convivência feliz.
Amigos: se mais não fiz não foi por não querer, mas talvez, por não saber fazer mais do que fiz! Quando voltar não quero mãos estendidas para um simples cumprimento, porque virei com os braços abertos para aquele saudoso abraço dos amigos de sempre!
(Folclore da Imprensa)
E O RÁDIO...?
O rádio continua fazendo propaganda da televisão, como se os radialistas recebessem por mês pra chamar a nossa atenção para as novelas. Dá a impressão que esses apresentadores querem dizer o seguinte: “Olha, gente! Desliguem o Rádio e liguem a TV! O capítulo de hoje da novela das oito está uma beleza! O fulano vai meter um par de chifres na mulherzinha... Também ela merece e aquela irmã dela é uma beleza!
Será que os diretores das emissoras de Rádio não notam essa barbaridade em todos os programas que vão ao ar com papos dessa natureza?
Afinal, o Rádio também necessita de Ibope! Faça propaganda dos SEUS programas daqueles horários, promovam a SUA emissora. Quer queiram quer não a TV está aí pra tomar os seus ouvintes transformando-os em telespectadores! Você paga ao radialista para que eles promovam a concorrente que é a televisão?
ESTOU ENCERRANDO...
... a minha estada - que durou trinta anos! - no Oeste do Paraná e retornando para Florianópolis. Quem não se sacrifica pelos filhos, não é mesmo? Lá vou eu conviver com aquela sem-vergonhice das “sem-roupas” na praia, aquela areia fina entrando pelos vãos dos dedos, a cerveja estupidamente gelada - um perigo para a saúde! - o agravamento de um problema que tenho na unha: depois do vigésimo camarão descascado, começa a doer! (Será que é grave...?).
Mas não é sobre isso que eu queria falar.
É que existem radialistas, profissionais da televisão, jornalistas, publicitários que estão eufóricos: vou largar do pé deles! Não vai ter ninguém mais pra publicar os seus deslizes ortográficos, vão se livrar desse sujeito chato que “vive inventando erros” onde não existem... Dizem: Ainda bem que esse cara vai embora e todos viverão felizes com as suas colunas, seus programas de Rádio e de TV, sem que ninguém mais nos chame a atenção - diga-se, por “qualquer errinho de nada”-.
Vão deitar e rolar transmitindo os seus conhecimentos com coisas assim:
PLANOS E PROJETOS FUTUROS - (você conhece alguém que faz planos para o passado...?).
CRIAR NOVOS EMPREGOS - (Criar algo velho, alguém consegue...?).
PREFEITURA MUNICIPAL - (parece-me que só existem Prefeituras Municipais no Brasil!)
CONVIVER JUNTO - (conviver separadamente, não consigo!).
SUA AUTOBIOGRAFIA - (A minha ou a sua?).
BRIGADEIRO DA AERONÁUTICA e GENERAIS DO EXÉRCITO ou, ALMIRANTE DA MARINHA...
Os poetas continuarão publicando seus belos poemas, assim, por exemplo:
- Observando as GOTEIRAS DO TETO e as ESTRELAS DO CÉU, sinto o seu SORRISO NOS LÁBIOS, como LABAREDAS DE FOGO, ENCARANDO-ME DE FRENTE pra dizer: EU TE AMO-TE COM FERVOR!
Em QUALQUER PAÍS DO MUNDO em que EU ESTIVER PESSOALMENTE, ficarei sonhando EM GANHAR GRÁTIS o seu BEIJO ARDENTE QUE SAIRÁ DA SUA BOCA!”.( Ainda bem que sai da boca...!).
Os apresentadores de programas policiais continuarão entrevistando as VIÚVAS DOS FALECIDOS e a polícia continuará encontrando na periferia OS CADÁVERES DOS MORTOS! E dizendo “MINUTINHOS” como se existissem MINUTÕES!
Dizem que estão fazendo “uma vaquinha” pra “FESTA DE DESPEDIDA!”.
Afinal, vão se ver livre deste jornalista que “só vê erros quando lê, vê ou escuta, pô!”
Sabe de uma coisa? FUI!
(Folclore da Imprensa)
PAULO MARTINS - TV TAROBÁ
18:50 - 10.2.06
- Ele está INCLUÍDO DENTRO...
(Paulo : Me inclua fora dessa...)
ABELARDO, O AMIGÃO - RÁDIOCOLMÉIA - CASCAVEL
12:00 - domingo - 11.2.06
O amigão entrevistando o médico da Pastoral da Criança:
- Doutor, fale sobre o verão, com respeito a esse assunto...
- O verão É MUITO BOM PRA TOMAR SOL...
(Será, doutor...? Pôxa!).
ROBSON SILVA - TV NAIPI - FOZ
Programa AQUI, AGORA - 13.2.06.
Comentando sobre roubos e assaltos constantes em Foz do Iguaçu, com assassinatos todos os dias, falta de policiamento, etc.
- Às vezes eu acho que é repetitivo, RETUMBANTE, a mesma coisa, mas todos os dias os fatos se repetem...
(Retumbante foi de matar, ó Robson!).
MEU DIA-A-DIA
Vou abrindo os jornais, revistas, ouvindo rádio, vendo televisão e notando que o jornal O PARANÁ continua com PLESBICITO; a Vidrocap, conforme anúncio nos jornais, vendendo ASSESSÓRIOS, ao invés de ACESSÓRIOS; a coluna Rolmops & Catchup do Francisco Camargo falando sobre A SARDINHADA BENFAJEZA, ao invés de benfazeja e o Paraná, de novo, me dizendo como se escreve trajetória: TRAGETÓRIA!
(Tá vendo que dia-a-dia safado o meu...?).
Na disputa de melhor qualidade de vida entre Curitiba e Florianópolis, ganhou Floripa e cá estamos nós de mala e cuia!
Já conhecia a Ilha. Sei lá em que ano, mas vim pra cá a convite de Antunes Severo para ser pioneiro em televisão. Depois descobrimos que era tv fantasma. Mas era boa. Tinha ótima imagem, equipe de primeira linha, bem no centro, pertinho da figueira que, na época já era velha. Só não tinha muletas como agora. Pra dar um close, usava-se um zoom diferente: consistia em aproximar a câmara do gajo ou o gajo se aproximar da câmera.
Num certo domingo, uma dupla de cantores ia cantar uma música que falava da neblina da madrugada. E a neblina, onde encontrar...? O Antunes, que também é Eurides (já viram nome mais apropriado para galã de televisão?) Pior seria Eurídice, aquela das mãos... mas deixa pra lá. O Severo, dizia eu, teve uma magnífica idéia: um tecido transparente, feito um véu de noiva, pendurado na frente dos cantores. Ótimo! Mas cadê o tecido? Lá fomos nós pra rua à procura de uma lojinha dos “brimos”. Como tinha poucos, encontramos um na primeira esquina. Foi um sucesso. A câmara focando os gajos através do pano cheio de furinhos, os cantores andando em direção da câmera e o efeito de neblina foi esplêndido. Só não sei que fim levou o tecido. Sumiu. Escafedeu-se!
Mas não era sobre isso que ia escrever e sim sobre a qualidade de vida, lembram-se?
Andava eu e Dalila, minha mulher, dia destes lá pelo Mercado, duas e meia da tarde, uma fome dos diabos, mas necessitando ir pra casa depressa. Vamos enganar o estômago com um pastelzinho e uma cervejinha sem álcool. Saímos pela rua assim: comendo o pastel, bebendo a cerveja, um sol de quarenta graus quase nas costas, queimando a careca já bem antiga e, quando me dei conta, estava rindo de chamar a atenção de quem passava.
Dalila pergunta: O quê foi que houve, homem? Ta maluco, rindo sozinho?
Explico: estava me lembrando do motivo que nos trouxe pra cá, pra essa ilha encantada - a tal de qualidade de vida.
Ao invés de um saboroso camarão do Arantes, uma long neck, um pastelzinho de carne, um sol de quase quarenta graus na cacunda e o carro num estacionamento a mais de quinhentos metros...
Estou pensando quando contar essa pro pessoal de Cascavel que está morrendo de inveja porque nos mudamos de lá!
Qualidade de vida é isso aí,
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