O padrinho Gugu Ramos, numa pausa dos campeonatos mundiais de skate, na cerimônia de batizado da sobrinha Alice.
Na foto, Gugu, Camile(a mãe) Alice e a vovó Dalila. Alice é filha de Leandro (o irmão que incentivou o skate em Cascavel) e de Camile.
Antes que me perguntem
NÃO DEVIA SER ASSIM...
Mas é. E, antes que me perguntem se eu tenho raiva, ódio, desejo de vingança, respondo antes: Não! Afinal, o culpado é a gente mesmo que acredita, acredita e acredita que as pessoas que nos cercam, aquelas às quais você dedica uma grande amizade, quem você ajuda, dá atenção, cumprimenta, abraça, trata como irmão, não vão, NUNCA! aprontar uma.
Conto agora algumas passagens, mais como alerta aos dirigentes de empresas que, dedicando certas amizades a funcionários ou colaboradores, chegam até a ser padrinhos de batizado, de casamento, vão à pescaria, às festas, convidam para sócios da sua empresa, sem saber que, na maioria das vezes, é o início do golpe. Alguém, agora mesmo, estará torcendo o nariz e pensando: lá vem besteira... Que não é assim... Que nem todos são iguais, etc.
E, também, não estou dizendo isso: o difícil é você descobrir quem, na verdade, merece que você faça algumas exceções, como, por exemplo, avalizar, emprestar, socorrer sempre que é necessário, ser a táboa de salvação deste ou daquele. Quero que entendam que essas coisas acontecem muito mais vezes do que você pode imaginar.
Quero me deter em alguns exemplos acontecidos comigo e servirão pra você, talvez, em qualquer momento.
EM CASA - A diarista conta das suas dificuldades pra sustentar os filhos pequenos e que precisa mais um dia pra trabalhar como diarista. Você, besta que é, dá mais um dia. Dali a alguns dias, ela pede mais um. Você dá. Quando completa três dias por semana, ela já é empregada doméstica. Aí, você se ferra! Tudo o que você deu a ela, não conta. Você vai ver o que conta! Você nem faz idéia da quantia que você vai pagar na justiça do trabalho! O bestão aqui, presidente de sindicato de empregados por mais de vinte anos, pagou.
O GOLPE DA FOTO - é a história do “retratista” que vive perambulando pela noite, tirando fotos. Encontra você com alguém e pimba: clica e aparece dois depois no seu escritório com um pôster gigante. Você com cara de bunda, porque aquela mulher não era a sua. Ou mesmo que fosse, acaba pagando um preço exorbitante pelo pôster. Quando você diz que não tem dinheiro, ele diz que não tem importância e deixa a foto. No outro dia, manda um cobrador na sua casa pra receber. Como você não está em casa - e ele sabe disso! -, alguém da família paga - sempre um pouco mais -.
- O GOLPE DA COMPRA DE UM CARRO USADO - É assim: aquele amigão precisa comprar um carro usado. O seguro exige “pró-forma”, diz ele, de um documento, uma declaração sem importância dizendo que o amigão trabalha pra você ocasionalmente e ganha uma quantia qualquer. Passado um tempo você paga uma ação trabalhista do tamanho de um bonde, porque aquele documento é indiscutível, segundo o juiz. Não existe investigação pra saber se aquele documento é real ou não. Não existe justiça do trabalho investigativa. Você está sumariamente ferrado. Comigo aconteceu na empresa que dirigia e custou salário atrasado, férias, descanso semanal, indenização, férias proporcionais, danos morais e o escambau de bico!
O GOLPE DO CHEQUE-GARANTIA - o seu amigão precisa de umas folhinhas de cheque pra dar de garantia numa compra qualquer de outro amigo comum. Depois você é procurado pelo oficial de justiça, dizendo que você tem 72 horas pra pagar o cheque que está sendo cobrado exatamente por aquele amigão a quem você emprestou o cheque-garantia. Comigo aconteceu com um sócio numa gravadora que acabei fechando. Ele precisava comprar uma mesa de som de um amigo comum. Não conseguiu pagar e devolveu a mesa. O vendedor devolveu os cheques. Ao invés de devolvê-los ao dono, o amigão foi à justiça pra cobrar-. E você paga sem defesa. Não existe defesa. Apenas, um processo que você abre depois, gastando mais do que pagou de início e esperará alguns anos pra algum juiz mandar engavetar o processo.
OUTRA DO CHEQUE-GARANTIA - o amigão - que até já trabalhou contigo anos antes - e a esposa vão à sua casa. Vai com a esposa pra dar um cunho de honestidade ao pedido. A dupla trabalha vendendo roupas compradas no atacadão das Confecções Bandeirantes, uma das maiores potências da região.
Precisa de umas folhas de cheque até fazer o próprio cadastro. O lucro é muito bom e os cheques serão devolvidos imediatamente após o cadastro estar pronto. Você acaba pagando, como eu paguei, as compras efetuadas no atacadão (R$ 111,00; R$ 111,65; R$ 512,81 - em maio de 97). Fui cobrar os cheques em sua casa. Tive que enfrentar uma garrucha nas mãos da devotada esposa!
Os novos golpes estão vindo de todos os lados. Os seus cartões de crédito estão sendo clonados, principalmente nos Postos de Gasolina e você tem de correr atrás dos Bancos para poder ser ressarcido das quantias descontadas na boca do caixa. Recentemente a Globo mostrou como se faz: no carro, alguém com a perna engessada não pode ir ao balcão para assinar. O empregado do Posto trás até o carro a maquininha. Ali a coisa é feita em outra máquina sem que ninguém perceba. Está clonado o cartão em segundos. Com meu filho aconteceu com seu Cartão, com compras efetuadas em Osasco, São Paulo; os telefones estão sendo clonados - como foi o meu celular - e as conseqüências?
A TIM não está nem aí! Não providenciou o comunicado em tempo útil e muito menos ofereceu outro aparelho. Se eu quiser outro celular, tenho que ir à loja comprar e perder um número divulgado aos parentes, empresas e amigos há mais de dez anos.
Antes que me perguntem
CHEQUES DADOS EM MERCADOS - Quando você está dando um cheque no caixa do Mercado tem alguém, um ou dois elementos, marcando os dados: nome do banco, do emitente e até número do cheque, quantia... Você dá o cheque e vai embora tranqüilo.
Pouco depois, alguém vai ao Mercado e resgata em dinheiro o seu cheque. Ninguém duvida da veracidade da operação, pois o elemento sabe tudo do cheque e, como vai pagar à vista, o dono do Mercado acha ótimo! Seu cheque será trocado em outra empresa com o valor adulterado. Isto poucas horas depois de iniciado o processo.
Sem falar nos golpes insistentemente divulgados pela polícia como o golpe do bilhete, o paco, e tantos outros.
Outro dia - não consegui evitar - minha mulher deu dez reais para um simpático rapaz surdo. Tinha um desgastado papel da polícia atestando a sua deficiência e que o mesmo precisava comprar um aparelho de surdez. Até aí nada demais, não fosse ele meu conhecido de alguns anos e que até agora não havia conseguido comprar o aparelho! E notem: ele não pede um real. Pede dez!
Conheci um senhor em Itajaí e depois de muitos anos aqui em Cascavel, com uma ferida feia na perna. Não era ferida: era um pedaço de bife, com bastante mercúrio por cima.
Conheci uma velhinha na Avenida em 1976, com uma criancinha no colo. Encontrei-a outro dia: a criancinha era moça feita e como ela não tinha mais filho de colo, alugava criança na vizinhança.
Como jacu escasseia, mas não acaba, estou rezando pra não entrar em mais algumas falsetas que a vida se nos apresenta à cada passo.
Essas falcatruas vão acabar um dia...?
Vão sim, dizem em coro o Papai Noel, os Sete Anões, o Saci Pererê, a Sereia, o Delúbio Soares, o Roberto Jefferson, o Duda Mendonça, o Malluf, o Adelson Lemos, o Miguel dos Santos Pereira, o Jota João Alberto Lischa de Oliveira, o Vladinei José Gasparetto, o Lula, o surdinho dos deizão e outros que você vai acrescentar aqui.
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