O PROFISSIONAL DO OMBRO AMIGO

ERA SÁBADO, POR TRISTEZA!

Com que, então, ele resolveu comemorar aniversário num sábado.

Caiu nessa asneira. Só faltava chover. Mas precisava dizer aos amigos que estava começando a escrever um novo romance e não sabia em que século colocaria a historinha.

- Chegou à conclusão que em qualquer século as coisas aconteceriam da mesma forma, porque a humanidade não muda muito nesse sentido.

Quem foi que disse que fez a mesma tolice aqui no século passado, mas repito:

“Que a gente começa

Às vezes de brincadeira

Mas depois se se habitua,

Já não tem vontade sua

E fá-los queira ou não queira”.

Mas era quinta feira.

Diferente do sábado!

Aniversariar é o mesmo que fazer besteira como, por exemplo, na história que está tentando contar nestas linhas bem mal traçadas, e ela tinha de deixar de lado aquele com o qual convive e, embasada a pessoa na historinha do “Como sou infeliz”, passa a fazer o que não quis, na verdade...

Mas lá se vai voando em exemplos das amigas do lado que, aparentemente, são felizes porque sozinhas têm a liberdade de ter um homem à cada dia, rindo muito, sem compromisso nenhum na sequência dos dias...

Voltando ao sábado, quem, em sã consciência, vai deixar de ver televisão ou brincar na Internet mandando e recebendo recados, confidenciando a uma amiga a infelicidade da sua vida e seu desejo de ter outra companhia, um ombro amigo pra dizer coisas, uns agarros e uns beijinhos pra, simplesmente, ir a uma festinha de aniversário de um amigo, onde tem até croquete de carne seca, além de balãozinhos coloridos e correria de crianças que nunca deveriam ter ido ao aniversário.

Mas, ele, o personagem central, estava lá. Ninguém desconfiava de suas intenções: ver, apalpar numa passagem apertada. Tinha muita gente. Ninguém iria perceber.

Sábado não é dia de comemorar nada. Ninguém vai na sua casa e, quando vai, não quer saber de nada além de comer e beber, falar da vida alheia e, nunca! ouvir o que o aniversariante tem a dizer. Se houver brecha para um discursinho fica todo mundo conversando e ninguém escuta nada. Só vibram os convidados e penetras quando batem palmas no final do papo. Isto porque já está na hora de cortar o bolo, cantar parabéns, beber mais um pouco até esvaziar a geladeira e ir embora tropeçando em qualquer pedrinha do caminho.

Conheço um cara - diz ele ser amigo, de todo aquele com o qual bate um papo, até no fundo do poço- , que é técnico em oferecer “ombro amigo” pra toda mulher que diz a célebre frase: Sou muito infeliz!

Em festinhas particulares sempre existe a possibilidade de se descobrir esse tipo de pessoa infeliz. Aí entra o nosso peronagem.

Pra homem também! Mas não queira saber do “técnico”. A não ser que esteja precisando de ombro amigo naquele dia.

- Tens meu ombro amigo disponível a qualquer hora!

 

Frase fantástica pra comer gente!